quarta-feira, outubro 03, 2007

Marcio Villar quebra o recorde do desafio Brasilia/Pirinopolis

RELATO DESAFIO BRASILIA/PIRINÓPOLIS(GOIAS) 29/09/2007por Márcio Villar
Tudo começou com uma amizade que fiz com o Ultramaratonista de Brasília Henrique na BR135 onde ele foi para ser o paccer do Manuel Mendes e me emprestou sua lanterna no meio da prova quando a minha parou de funcionar e na Badwater eu o reencontrei naquele deserto lindo e quando acabou a Badwater ele veio me convidar com sua equipe para eu ir a Brasília tentar quebrar o Recorde do Desafio Brasília/Pirinópolis (Goiás) de 140 Km, eu aceitei prontamente e pedi que me mandasse um convite formal para o desafio para eu poder conseguir apoio para a tentativa e ele mandou o convite para ser feito no dia 29/09/2007 as 00:01H e falou que já teria chovido nessa época e estaria mais fresco para a tentativa.
Dois dias antes de ir para Brasília falei com a Monica Otero de quem eu fui paccer e ela na mesma hora comprou as passagens e foi para Brasília para me dar suporte sendo minha peccer, no dia 28 quando cheguei em Brasília parecia uma fornalha o Henrique foi com sua namorada Ultramaratonista Patricia me pegar e a Monica no aeroporto, fomos no mercado comprar as coisas e preparar tudo para a largada meia noite ainda dei uma cochilada de 20:00H as 22:00H, mas ficava o tempo todo pensando como correr naquele calor,vocês vão falar,”eu ele não correu no deserto?” só que no deserto era só para completar e ali era tudo ou nada, eu contra o relógio, não tinha outro adversário a não ser o tempo, em Brasília não bastava terminar bem, tinha que terminar quebrando o recorde se não seria tudo jogado fora, tinha que provar nessa prova que eu posso, que eu sei da minha capacidade para conseguir o apoio que tanto sonho para fazer a Arrowhead (217 Km na neve com uma temperatura de -45º).
Tive que usar uma tática suicida, pois quando cheguei lá o calor estava insuportável, o Organizador do desafio me falou que eles que moram lá estavam passando mal à tarde e que eu dei muito azar pois não chove em Brasília a mais de 120 Dias que seria quase impossível alguém chegar no dia e correr sem estar acostumado com aquela secura é ruim até para respirar normalmente em casa, ai comecei a pensar no que fazer pois não poderia desistir e voltar para casa sem tentar, eu nunca me perdoaria por isso, então pensei vai ser tudo ou nada, a largada foi meia noite de sexta para sábado em frente ao Monumento JK em Brasília seguindo em direção de Goiás, com subidas intermináveis naquela estrada eu não quis nem saber imprimi um ritmo forte para aproveitar a temperatura amena da noite, pois sabia que na hora que saísse o sol eu estava ferrado, para você ver como eu estava bem fechei os 90 Km com 08:50H isso para correr em estradas cheio de subidas está ótimo, mas depois que veio o sol começou meu sofrimento, a Patricia começou a correr ao meu lado para me puxar e era subidas e mais subidas e descidas e subidas e mais subidas, isso com o carro de apoio indo atrás o tempo todo e o Henrique, a Monica Ottero e o grande Ultramaratonista de Brasília Bruno, muito bacana ia filmando, tirando fotos e me molhando com esguicho d’água para amenizar o calor, dando comida, repositores, tratamento VIP mesmo.


Só que chegou ao ponto de correr no acostamento ao lado da mata pegando fogo e sentindo todo o calor do fogo e respirando a fumaça, sem contar com as dezenas de bois mortos pela seca na beira do pasto com um fedor enorme e cheios de urubus em cima, isso já tinha percorrido um pouco mais de 100 Km, o corpo fervia e não adiantava mais o borrifador, tive que correr colocando gelo o tempo todo na nuca para baixar a temperatura, a cabeça fervia, sentia tonturas e vontade vomitar, ai botava gelo, tomava coca cola e voltava, faltando uns 20 Km tive que encarar a Serra dos Pirineus, uma subida enorme de 10 KM de barro e cada carro que passava era um banho de poeira, já não conseguia respirar direito com o barro ficou impossível, molhava um pano e colocava na frente do rosto para poder respirar, nessa hora já estavam ao meu lado me puxando a Patricia e a Monica Otero e o Bruno me molhando o tempo todo com o Henrique me dando as bebidas, quando começou a descida da Serra apertei um pouquinho até chegar de volta no asfalto na entrada da Cidade de Pirinópolis, dali até a chegada eram só mais uns 5 Km e já não tinha mais força estava destruído, mas com a Bandeira do Brasil na mão os carros que passavam buzinavam e aplaudiam e o Henrique falou para mim “ meu irmão esse recorde já é seu”, isso me deu uma força que dei uma arrancada final nesses últimos quilômetros até a chegada na praça da Cidade fechando o desafio em 17:13H baixando o recorde em 01:53H que era de 19:06H, logo depois o Henrique veio me entregar o troféu e depois vomitei muito, o corpo fervia, nada parava no estomago joguei água no rosto e descansei um pouco para voltar para Brasília (de carro lógico), foi fantástico. e inesquecível, valeu cada suor que deixei no caminho, não tenho palavras para expressar a sensação de prazer que eu sinto quando termino uma prova dessas.



















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